domingo, 29 de junho de 2008

"Critérios do processo mental" (Natureza e Espirito,pags 67-79)

Este capítulo constitui uma tentativa de elaboração duma lista de critérios.

Esta lista constitui o alicerce de todo o livro ( «Natureza e Espírito» ). Outros critérios podiam ser aduzidos e poderiam talvez substituir ou alterar a lista oferecida.

Os critérios do espírito (ou mente) são os seguintes e pretendem induzir ao leitor uma visão preliminar do que é proposto:

1◦ Um espírito é um agregado de partes ou componentes que actuam entre si.

2 ◦ A interacção entre as partes do espírito é provocada pela diferença; (e a diferença é o fenómeno não-substancial, não localizado no tempo ou no espaço: e a diferença está mais ligada á neguentropia do que á energia).

3◦ O processo mental exige uma energia colateral.

4◦ No processo mental, os efeitos da diferença devem ser entendidos como transformações dos acontecimentos que os precederem.

5◦ A descrição e classificação destes processos de transformação revelam uma hierarquia de tipos lógicos imanentes aos fenómenos.

Os fenómenos a que chamamos de pensamento, evolução, ecologia, vida, aprendizagem, entre outros semelhantes, só ocorrem em sistemas que satisfazem estes critérios.



Realizado por: Filipa Araújo 52318

"La epistemologia de la cibernética”(Pasos hacia una ecologia de la mente-p345)

Nos últimos 25 anos, importantes avanços foram feitos ao nível do que é o ambiente, um organismo, e a mente. Avanços estes provenientes da cibernética, (teoria dos sistemas, da informação, e ciências com ela relacionadas).
No presente contexto tem máxima importância referir que nenhuma parte do sistema interno interactivo do mesmo tem um controlo unilateral sobre o resto ou sobre qualquer outra parte, é aqui onde entram as características a nível mental, as quais possuem o “poder” sobre o sistema como um todo. Facto este designado por holístico e evidente. A mente funciona assim como um regulador para o sistema, como uma essência, um órgão sensível. O comportamento do regulador, por outras palavras, refere-se ao comportamento de outras partes do sistema, e indirectamente pela sua intervenção realizada anteriormente em outras partes do sistema. Este carácter holístico e mental esta claramente representado pelo facto do comportamento do regulador esta pelo seu comportamento prévio.
Um regulador humano num sistema social está constantemente constrangido, controlado pela informação que recebe do sistema, e assim tem que adaptar as suas próprias acções as características temporais e aos efeitos da sua própria acção passada.
Podemos então dizer que nenhum sistema no qual existam características mentais, poderá existir uma parte unilateral sobre o todo. Concluímos isto quando nos perguntamos: “Pode pensar um computador?”, ou “Encontra-se a mente na cabeça?”, e a resposta a ambas as perguntas apresentará uma resposta negativa.
Podemos dizer que a mente está inerente aqueles circuitos dentro cérebro que estão completos, ou ainda, que esta se encontra inerente a um sistema mais amplo, o do Homem e do ambiente. Consideremos um homem que deita abaixo uma árvore: cada corte feito pela machada é modificado e corrigido conforme a figura da cara cortada da árvore que o corte anterior deixou. Este processo de autocorrecção (ou seja, mental), resulta de um sistema total: árvore – olhos – cérebro – músculo – machado – corte - árvore, é neste sistema total que encontramos a característica da mente inerente. Já os ocidentais poriam a questão da seguinte forma: “eu cortei a árvore”, criando assim um “eu próprio”. Imaginemos um cego, onde começará o “eu próprio” deste? Na parte inferior da sua bengala, na metade, ou na parte superior?, estas questões carecem de sentido visto que a sue bengala é uma via através da qual lhe são transmitidas as informações para a delineação da sua trajectória.
A unidade total de correcção que processa a informação, ou como refere o autor:” pensa, actua e decide”, é um sistema no qual os seus limites não coincidem todos com os limites quer pelo que é designado vulgarmente de “eu próprio”, (consciência). O assim designado por mente - corpo esta completamente errado levando ao paradoxo: se, se supõe que a mente é inerente ao corpo, então será necessário que esta seja transcendente, contrariando o facto verdadeiro de que o sistema não é uma entidade transcendente, como normalmente se supõe que o “eu próprio” sim o é.



Realizado por: Carina Afonso 52329

"Os grandes processos estocásticos "(Natureza e Espirito, pags 119-122)

É um princípio desenvolvido pelo autor que tanto a alteração genética como o processo denominado de aprendizagem são processos estocásticos. Em qualquer dos casos existe uma corrente de acontecimentos que é aleatória sob certos aspectos e um processo selectivo não-aleatório que tem por consequência que alguns dos componentes aleatórios «sobrevivam» por mais tempo que os outros. Sem o aleatório, não pode haver coisas novas.
A produção de formas resultantes duma mutação ou é aleatória, dentro do conjunto de alternativas que o status permitir ou que, se a mutação é exigida, os critérios dessa exigência são irrelevantes para as pressões do organismo.
Segundo a Teoria Ortodoxa, o ambiente protoplasmático do ADN não pode ordenar alterações nesse ADN que sejam relevantes par o ajustamento do organismo ao meio ambiente ou para a redução da tensão interna.
As mutações estão acumuladas no conjunto confuso de genes da população e a selecção natural irá trabalhar para eliminar essas alternativas desfavoráveis sob o ponto de vista de qualquer coisa como a sobrevivência e que esta eliminação irá favorecer, no seu conjunto, essas alternativas que ou são benéficas ou inofensivas.
Tanto para as mutações como para a aprendizagem é sempre necessário recordar as patologias potenciais dos tipos lógicos.
Foi Alfred Russell Wallace quem fez notar em 1866 que o princípio da selecção natural é como o da máquina a vapor com regulador. Tanto o processo de aprendizagem individual como o processo de substituição da população, sob a selecção natural, podem exibir as patologias de todos os circuitos cibernéticos: oscilação excessiva e fuga.
É certo que a alteração evolucionária e a alteração somática são fundamentalmente semelhantes, que ambas são estocásticas na sua natureza, apesar de certamente as ideias sobre as quais trabalha cada um dos processos serem um tipo lógico totalmente diferente do tipo lógico das ideias de outro processo.
Estes tipos lógicos conduziram a muita confusão, controvérsia e ate a tanto disparate sobre tais questões como a «herança de características adquiridas» e a legitimidade de evocar o «espírito» como um princípio explicativo. Foi intolerável para muita gente sugerir que a evolução poderia ter uma componente aleatória.

Realizado por: Filipa Pereira 52324

"Versões múltiplas das relações" ( Natureza e Espirito,pags 31-33 )Gregory Bateson

Gregory Bateson examina a questão dos limites e dá importância ao que limita as «coisas» mas principalmente ao que limita o próprio ser.
Começa por questionar-se acerca da existência de uma linha á qual «dentro» dessa linha estou «eu» e «fora» qualquer outra pessoa ou até mesmo um ambiente; questiona-se também acerca do direito que temos em fazer tais distinções.
É evidente que «dentro» e «fora» não constituem metáforas apropriadas á inclusão e á exclusão quando falamos de ser.
O espírito não contém coisas, não contém pessoas nem qualquer outra coisa que tenhamos mas somente ideias. Duma forma semelhante o espírito não contém nem tempo nem espaço, mas somente «ideias» de tempo e espaço.
Os limites do indivíduo, se é que existem, serão, não limites no espaço, mas qualquer coisa parecida com sacos que representam conjuntos dentro de diagramas teóricos.
Para além disso, pretende concentrar-se na espécie de «receita de informação», (a que nós chamamos de aprendizagem), que é a aprendizagem do «ser» de forma a resultar nalguma «alteração» do «ser». Particularmente, irá observar as alterações nos limites do ser, talvez até, a descoberta de que existem limites, e que o centro, talvez, não exista.
«Como é que nós adquirimos estes conhecimentos ou sabedorias (ou asneiras), através dos quais, nós próprios – com as nossas próprias ideias sobre o ser – nos podemos modificar?»
Em resposta desenvolveu duas noções: uma que afirmava que a unidade de interacção e a unidade de aprendizagem caracteriológica são o mesmo.
É correcto começarmos a pensar as duas partes da interacção como dois olhos, cada um dando uma visão monocular do que acontece e, juntos, proporcionando uma visão binocular em profundidade. Esta visão dupla é a relação.
A relação não é interior ao sujeito. Ao falarmos de «dependência», de «agressividade», de «orgulho» apercebemo nos que estas palavras teem origem naquilo que acontece entre as pessoas, e não numa coisa ou outra dentro da pessoa.
Evitamos explicações dormitivas se nos agarrarmos bem á primazia e prioridade da relação.
Não se chegaria a um comportamento orgulhoso apoiando se no «orgulho» do individuo, assim como não se podia explicar a agressão apoiando se na «agressividade» instintiva.
O mesmo acontece com «dependência», «coragem», «comportamento passivo-agressivo», «fatalismo» e outros semelhantes.
Fomos ensinados a considerar a aprendizagem como uma questão de duas unidades: o professor «ensinava» e o aluno «aprendia». Mas este modelo linear tornou se obsoleto
quando conhecemos os circuitos cibernéticos de interacção. A unidade mais pequena de interacção contém três componentes (estimulo, resposta e reforço).
Existe uma aprendizagem do contexto, uma aprendizagem que é diferente daquilo que os experimentadores vêem. E esta aprendizagem do contexto nasce a partir de uma espécie de descrição dupla acompanhada pela relação e pela interacção.
Além disso, tal como todos os motivos de aprendizagem contextual, estes motivos da relação são autoconfirmados.
Em forma de resumo compreendemos agora que a mecânica das relações constitui um caso especial de descrição dupla e que a unidade da sequência de comportamentos contém, pelo menos, três componentes.

Realizado por: Filipa Araújo nº52318

Bibliografia

  • " Natureza e Espirito, uma unidade necessária", de GregoryBateson"- publicações D.Quixote, colecção Ciência Nova nº3 Lisboa 1987 . pg. 31-33; 67-79; 87-118; 119-122; 189-195; 131-133

  • "Pasos hacia una ecologia de la mente" ediciones Carlos lohlé. Autoria de Gregory Bateson pg.345; 121-125; 156

  • http:// pl.wikipedia.org/wiki/Gregory_Bateson

  • www.ecovisiones.cl/metavisiones/Pensadores/BatesonBio.htm

  • www.mnsu.edu/emuseum/information/biography/abcde/bateson_gregory.html